Em Junho: A Ética em Levinas por Prof. Alexandre Leone

O palestrante, doutor em Estudos de Cultura Judaica, estudioso de filosofia e religião, nos falou sobre a obra de Emmanuel Lévinas, filósofo humanista que viveu no século XX. Ele destacou que as obras de Lévinas “vem sendo cada vez mais lidas por psicólogos, teólogos e por sociólogos. A razão do interesse e importância que vem sendo atribuída à sua obra está no fato de ela tocar o âmago da crise da civilização moderna. Não que Lévinas tenha se proposto a refletir e escrever sobre nossa crise contemporânea de forma sistemática, mas por ele nos fornecer instrumentos teóricos muito valiosos para fazermos, nós mesmos, uma reflexão sobre a desumanização crescente que ocorre em nossos tempos. A alternativa para a crise contemporânea, que pode ser pensada a partir da leitura de sua obra, passa pelo radical reconhecimento do outro, do rosto humano do outro diante de mim como alguém que jamais conhecerei plenamente, mas para quem mesmo assim reconheço meu infinito dever ético.”

Os conceitos desenvolvidos por Lévinas percorrem um caminho que vai na contramão dos filósofos modernos pois coloca a ontologia como segunda filosofia dando a ética um primazia sobre aquela: Lévinas defende o humanismo que afirma o outro homem em detrimento do eu-sujeito, o eu já se constitui como um sair de si – o eu já é uma janela pela qual, recebendo o outro, eu me torno sujeito. Assim, ao perceber o outro como o não-eu, eu reconheço a transcendência desse outro e o reconheço como um sujeito e não um objeto.